| Gazeta Press |
 |
O maior goleador da história
do Vasco
Jorge Nicola , especial para Gazeta Esportiva Net
Quando se fala em artilheiro, pelo menos para o torcedor
vascaíno, o primeiro nome que vem à mente é o de Romário.
Porém, o maior goleador da história do clube carioca é, com
folga, Roberto Dinamite. O jogador, que encantou os torcedores
cruzmaltinos nas décadas de 70 e 80, é ainda o jogador que
mais marcou gols em jogos válidos pelo Campeonato Brasileiro.
Com 692 gols em pouco mais de 22 anos de carreira, Dinamite
fez 569 pela equipe profissional do Vasco e outros 46 pelo
juvenil. Apaixonado pelo clube, o atacante só deixou São Januário
por nove meses em toda sua carreira, quando defendeu o Barcelona
e a Portuguesa.
Modesto, Roberto Dinamite garante que se manteve alheio
ao glamour proporcionado por sua facilidade em ir às redes
adversárias. "Nunca me programei, nem fiz planos para ser
famoso. Tudo aconteceu naturalmente em função dos meus gols",
afirma.
Surge o Dinamite - No dia 25 de novembro de 1971,
Roberto fez sua estréia como profissional com a camisa do
Vasco, contra o Internacional, no Maracanã. A equipe cruzmaltina
vencia a partida por 1 a 0 e o jogo se aproximava do final
quando Roberto, o atacante franzino de apenas 17 anos, aproveitou
uma rebatida da zaga gaúcha.
Com habilidade, dominou a bola na intermediária e chutou
com extrema violência, não dando chances ao goleiro adversário,
marcando o primeiro de suas centenas de gols.
No dia seguinte, as manchetes dos jornais cariocas destacavam
a potência do chute de Roberto. "Explode o garoto-dinamite",
publicava o Jornal dos Sports. A partir daí, o jogador passou
a ser conhecido no Brasil e em todo o mundo como Roberto Dinamite.
E foi com esse apelido que Roberto superou Ademir de Menezes,
o Queixada, tornando-se o maior artilheiro do Vasco.
Individualismo marca o início da carreira - Carlos
Roberto de Oliveira nasceu em 13 de abril de 1954, em Duque
de Caxias, Rio de Janeiro, onde deu seus primeiros passos
como jogador. Igual a muitas crianças apaixonadas pelo futebol,
chegava a dormir com a bola nos braços enquanto imaginava
as jogadas que faria na próxima partida de várzea.
Nas peladas do bairro, tinha uma característica marcante:
era o mais fominha e exigia de seus companheiros que as jogadas
de ataque passassem pelos seus pés. Contudo, quando recebia
a bola, dificilmente a devolvia.
Apesar do individualismo, o então torcedor do Botafogo -
era fã de Jairzinho, autor de gols em todas as partidas durante
a conquista do tricampeonato mundial no México - já demonstrava
toda sua habilidade e precisão nos arremates de curta e longa
distâncias. Graças a isso, foi convidado a treinar nas categorias
de base do Vasco, onde anotou 46 gols em pouco mais de um
ano.
Desta maneira, despertou a atenção do técnico da equipe
principal, Mário Travaglini, que o relacionou para a disputa
do Campeonato Brasileiro de 1971. No mesmo ano, já era apontado
como a mais nova esperança de gols da equipe.
Com o passar dos anos, abandonou o individualismo e aprendeu
a atuar como garçom, servindo seu companheiros de ataque.
"Descobri que tinha capacidade para armar e lançar jogadas.
O Oto Glória, a quem tenho muita admiração, me ajudou muito",
revela Dinamite.
Começa história de amor com o Vasco - A partir de
então, começou sua longa história de amor com a torcida. O
centroavante atuou pelo time profissional do Vasco de 1971
a 1980, quando se transferiu para o Barcelona, da Espanha,
numa negociação que envolveu muito dinheiro. Voltou ao clube
três meses depois, onde ficou até 89, antes de ser negociado
com a Portuguesa. Seis meses depois, lá estava Dinamite, novamente
no Vasco, para em 93 encerrar sua carreira.
Alto e forte, Dinamite usava com muita inteligência seu
corpo e dificilmente perdia a bola para um adversário, tornando-se
um grande perigo na área inimiga. Ele conseguiu a média de
36 gols por temporada nos 22 anos de carreira - disputou 1.108
partidas. Seu melhor ano foi em 81, quando deixou por 62 vezes
a sua marca, superando o recorde de Zico, o maior ídolo da
torcida do rival, o Flamengo, que havia feito 45.
Suas principais características dentro de campo eram o oportunismo,
a competência e a sorte. Sabia cobrar faltas como poucos,
além de desenvolver, ao longo de sua carreira, a capacidade
de chutar com as duas pernas.
Participou da conquista de cinco estaduais - 77, 82, 87,
88 e 92. Em 74, conquistou o título de campeão brasileiro
batendo o Cruzeiro na final por 2 a 1. Apesar de não ter marcado
na decisão, Roberto Dinamite foi o artilheiro da competição
com 16 gols e maior responsável pelo inédito título.
Frustração em Barcelona - Em 1980, muito assediado
por clubes europeus, o Vasco não pôde evitar a transferência
de seu melhor atleta para o poderoso Barcelona, da Espanha.
O brasileiro substituiria um atacante austríaco que, por ter
brigado com o treinador, foi dispensado.
Porém, a passagem de Dinamite pelo clube catalão foi péssima.
Muito cobrado pela torcida, insatisfeita com a campanha no
Campeonato Espanhol do mesmo ano, o centroavante não reeditava
suas boas apresentações e não contava com a mesma sorte de
antes. Três meses depois de deixar o Rio de Janeiro, tendo
marcado apenas três gols na Espanha, Dinamite voltava à Cidade
Maravilhosa e para os braços da torcida, que lotou São Januário
para saudá-lo.
Toda a saudade dos gols e dos gritos dos vascaínos o ovacionando
foram supridos logo em sua partida de volta, quando enfrentou
o Corinthians. Dinamite marcou os cinco gols no massacre sobre
o time paulista, que só conseguiu fazer dois. Era a volta
do matador.
Dinamite vira estrela na Lusa - Já em final de carreira,
Roberto Dinamite recebeu convite para jogar pela Portuguesa.
O jogador aceitou o desafio e participou do Campeonato Brasileiro
de 1989 pela equipe do Canindé.
Treinado por Antônio Lopes, Dinamite transformou-se
rapidamente na grande estrela da Lusa. O atacante marcou nove
gols nos seis meses em São Paulo, que o ajudaram a atingir
a histórica marca de 190 gols em torneios nacionais, tornando-se
o maior artilheiro da competição.
A campanha da Portuguesa acabou sendo boa e a sétima colocação
com 20 pontos, seis a menos que o campeão Vasco, fez com que
a diretoria tentasse a renovação com Dinamite. Em vão. O artilheiro
mais uma vez voltava ao Vasco.
Alegrias e tristezas com a canarinha - A seleção brasileira
reservou grandes alegrias e decepções a Dinamite. Convocado
pela primeira vez em 1975, o atacante esteve presente nas
Copas do Mundo de 78 e 82, e fez, vestindo a camisa canarinha,
o gol mais marcante de sua carreira. "Estava esquecido por
toda a imprensa e torcida há mais de 20 dias. Mas, com o gol
que fiz contra a Áustria, voltei a ser aclamado como ídolo
do povo brasileiro de um dia para o outro. Foi sensacional",
confessa.
No entanto, o matador teve seus momentos de desprazer. "A
maior tristeza na minha carreira foi a maneira como fomos
desclassificados do Mundial de 78, na Argentina. Estávamos
invictos, mas fomos eliminados com a derrota do Peru por 6
a 0 para a Argentina".
Em 82, Roberto Dinamite foi convocado em cima da hora para
disputar o Mundial da Espanha devido à contusão de Careca.
Porém sua participação ficou restrita aos treinamentos, já
que o técnico Telê Santana não o colocou em partida alguma.
|