**Termômetro
das
chances brasileiras em Pequim: quanto mais quente, mais
próximo das medalhas.
No primeiro ciclo olímpico completo sob a vigência
da Lei Piva, criada em 2002, e com o impulso da Lei
de Incentivo ao Esporte, que entrou em vigor neste ano,
o Brasil ainda está bem longe da promessa que Carlos
Arthur Nuzman fez quando assumiu o Comitê Olímpico Brasileiro
(COB), em 1995. Na ocasião, o dirigente afirmou que
o Brasil seria uma potência olímpica dentro de 12 anos.
Porém, passado um ano a mais do prazo estipulado, é
inegável que a situação melhorou. Ainda assim, que ninguém espere
em Pequim uma chuva de medalhas como a vista no ano
passado, durante os Jogos Pan-americanos. Isso porque,
além de ter um nível técnico extremamente inferior ao
que será visto, a competição continental foi disputada
no Rio de Janeiro e, tradicionalmente, países que competem
em casa têm um aumento considerável em suas conquistas.
Ciente de tais variáveis, o Ministério do Esporte
estabelece para Pequim uma meta bem mais modesta - e
real. “Minha convicção é que em Pequm vamos ter o melhor
desempenho da história do Brasil. Eu espero que a nossa
delegação seja a maior da história, que a gente dispute
mais finais e ganhe mais medalhas, inclusive de ouro”,
afirma o ministro Orlando Silva.
O primeiro item, quantidade de competidores, já foi
cumprido: com 277 atletas, a delegação verde-amarela
na China é a maior da história, além de bater o recorde
de mulheres com 132 inscritas. Das competições que serão
realizadas na China, somente basquete masculino, badminton,
beisebol, hóquei sobre a grama, pólo aquático, softbol
e trampolim não contarão com representantes do país.
Em termos de quantidade, a melhor participação verde-amarela
na história dos Jogos Olímpicos se deu em Atlanta-1996,
quando Brasil ganhou 15 medalhas (três de ouro, duas
de prata e nove de bronze). Olhando-se pelo aspecto
da qualidade, o posto fica com Atenas-2004, quando os
representantes do país ficaram com cinco medalhas de
ouro, duas de prata e três de bronze.
Em comparação a quatro anos atrás, as principais
chances de pódio do Brasil continuam praticamente as
mesmas: atletismo, futebol, ginástica artística, hipismo,
judô, natação, vela, vôlei de quadra e de praia.
Sem Janeth e tentando se recuperar do repentino corte
de Iziane, o basquete feminino, quarto colocado na Grécia,
vê suas chances de subir ao pódio diminuírem, ao passo
que o taekwondo deixa de ser zebra para se tornar uma
possibilidade real de ganhar medalha com Natália Falavigna, campeã
mundial em 2005.
Em algumas modalidades, como a natação, é inegável
a evolução do país. Porém, o crescimento no nível internacional
andou tão rápido que, apesar de possuir nomes como Thiago
Pereira, César Cielo e Kaio Márcio, é bastante improvável
que o Brasil volte a ter um atleta com a prata no peito,
como Gustavo Borges conseguiu em 1992 e 1996.
Por outro lado, no atletismo o país tem chances reais
de ouro nosalto em distância e no salto triplo, respectivamente
com Maurren Maggi e Jadel Gregório. Diego Hypólito,
da ginástica, foi uma das melhores surpresas surgidas
nos últimos quatro anos e é o principal candidato a
subir no ponto mais alto do pódio na prova de solo,
assim como a jovem Jade Barbosa se tornou esperança
no salto, solo e no individual geral.
As chances de o país finalmente conquistar um ouro
feminino em esportes coletivos também são grandes e
estão depositados no vôlei e no futebol. Por sua vez,
o técnico Dunga conta com o talento de Ronaldinho Gaúcho
e Alexandre Pato para acabar com a incômoda marca de
o futebol pentacampeão mundial jamais ter sido o melhor
em uma Olimpíada.
No judô, os competidores brasileiros tentarão manter
o bom retrospecto através da força dos campeões mundiais
João Derly, Tiago Camilo e Luciano Correa. Esporte que
mais deu medalhas ao país, a vela também tem sua leva
de “melhores do mundo” com a dupla de Star Robert Scheidt/Bruno
Prada e Ricardo Winick, do RS:X masculino, vencedores
do Mundial da Federação Internacional de Vela (Isaf),
realizado de quatro em quatro anos, cuja última edição
foi em 2007 - trata-se de uma disputa considerada mais
forte que o Mundial que cada categoria promove anualmente.
É desta forma que o Brasil entra na competição em
Pequim, que promete uma eletrizante briga entre Estados
Unidos e China pela primeira posição no quadro de medalhas.
Além dos números, um bom desempenho nos Jogos pode significar
um impulso para a candidatura do Rio de Janeiro à edição
de 2016 da disputa – mas, por via das dúvidas, Lula
visitou a China para tentar angariar o apoio dos donos
da casa e saiu otimista. “O presidente Hu Jintao compreendeu,
assim como o presidente do Parlamento chinês, que a
América do Sul nunca teve uma Olimpíada”, afirmou. Enfim,
uma colaboração dos atletas seria muito bem vinda.